A crescente demanda por evidências concretas sobre o impacto de iniciativas de saúde preventiva na educação encontra no Projeto Visão em Dia um conjunto de histórias que traduzem esse impacto de forma direta. As crianças atendidas pelo programa ao longo de seus ciclos de atuação em Ferraz de Vasconcelos e na região do Alto Tietê chegaram ao atendimento sem diagnóstico visual e saíram com uma informação, uma correção ou um encaminhamento que não existia antes daquela visita.
Para Franco Douglas Lima Dias, idealizador do programa pelo Instituto Visão Conectada, cada uma dessas histórias é a confirmação de que o Visão em Dia está chegando exatamente onde precisava chegar. E cada história que não foi contada, porque o programa ainda não chegou àquela escola, é o argumento mais concreto para continuar expandindo o alcance da iniciativa.
O que acontece com uma criança depois que ela recebe os óculos certos?
A resposta imediata é simples: ela passa a enxergar com nitidez o que estava à sua frente o tempo todo. O quadro, o caderno, o professor e os colegas deixam de ser imagens desfocadas e passam a ser elementos que ela consegue processar com a mesma clareza que qualquer outro aluno. Para uma criança que nunca havia enxergado bem, essa mudança é imediata e concreta.
O impacto de médio prazo é mais complexo. As lacunas de conteúdo acumuladas durante os anos em que a criança estudou sem correção visual não desaparecem com os óculos. Mas a barreira que impedia o aprendizado de acontecer em condições mínimas de igualdade é removida. A partir dali, a criança tem acesso ao mesmo ambiente visual que os colegas sempre tiveram.
O que os diagnósticos de ceratocone realizados na APAE revelam sobre o impacto?
Os dois diagnósticos de ceratocone realizados pelo Projeto Visão em Dia na APAE de Ferraz de Vasconcelos representam um tipo de impacto diferente do que resulta da entrega de óculos convencionais. A condição, degenerativa e progressiva, teria continuado avançando sem aquela triagem. O diagnóstico chegou em um momento em que a janela de tratamento ainda estava aberta, criando a possibilidade de uma intervenção que poderia mudar o curso da condição para aquelas crianças.

Na avaliação de Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu ceratocone por falta de diagnóstico precoce, esse tipo de resultado é o que dá ao programa uma dimensão que vai além da saúde ocular convencional. Não se trata apenas de corrigir a visão. Trata-se de identificar condições que, sem intervenção, avançam além do ponto em que o tratamento ainda é mais eficaz.
Como os relatos das famílias descrevem o impacto do programa?
Os relatos colhidos nas ações do Projeto Visão em Dia descrevem um impacto que começa com a surpresa de um diagnóstico inesperado e se estende para a rotina escolar e familiar das crianças atendidas. A mãe que descobriu na APAE de Ferraz de Vasconcelos que o filho tinha miopia não havia identificado nenhum sinal antes daquele atendimento. Para ela, o diagnóstico foi a revelação de que havia um problema que existia há tempo e que agora tinha nome, causa e solução.
Conforme documentam os registros jornalísticos sobre o programa, a diretora da APAE, Lara Benute, descreveu o que aquela visita representou com uma clareza que resume o impacto do Visão em Dia: “Algo que só foi possível identificar por causa do atendimento realizado aqui.”
O que as histórias das crianças atendidas revelam sobre o que o programa ainda precisa fazer?
Cada criança atendida pelo Projeto Visão em Dia é também um dado sobre o que estava faltando antes da chegada do programa. Cada diagnóstico realizado em uma criança sem histórico oftalmológico é a evidência de que havia uma necessidade que o sistema não havia conseguido atender. E cada escola que ainda não foi visitada pelo Visão em Dia provavelmente tem crianças com o mesmo perfil de necessidade esperando por uma triagem que nunca chegou.
Para Franco Douglas Lima Dias, as histórias das crianças já atendidas são o argumento mais humano e mais concreto para a continuidade e a expansão do programa. O que elas revelam não é apenas o que o Visão em Dia fez. É o que ainda precisa ser feito, em cada escola que ainda não recebeu uma visita, com cada criança que ainda não teve o diagnóstico que precisava.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
