Segundo dados da Abragames, mencionados por Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, 55% da receita dos estúdios do país já vem do exterior, e os negócios globais do setor passam de US$ 138 milhões. Especialistas do setor veem nesse número um indício de que a internacionalização deixou de ser projeto futuro e virou rotina de quem produz jogos no Brasil.
Como os estúdios brasileiros chegam às grandes feiras
A porta de entrada costuma ser o programa Brazil Games, projeto de exportação conduzido pela Abragames em parceria com a ApexBrasil. Em 2026, ele levou 38 estúdios à GDC, em São Francisco, entre 9 e 13 de março, e 78 empresas à gamescom, em Colônia, na Alemanha, entre 26 e 30 de agosto, segundo o Diário de Pernambuco.
Parte da delegação participa também da gamescom dev, nos dias 24 e 25 de agosto. O formato reúne presença institucional, rodadas de networking e reuniões com publishers, investidores e outros agentes internacionais.
Por que essas feiras importam para quem desenvolve
A gamescom recebe mais de 350 mil visitantes por ano, além de investidores, publishers e agências de fomento. Para um estúdio pequeno, ter acesso a esse público em poucos dias reduz um custo que, de outro modo, exigiria muitas viagens e apresentações isoladas.
Já a GDC é apontada pela imprensa como o principal evento mundial de desenvolvimento de jogos. Na edição de 2026, a delegação brasileira buscava atrair investimentos, fechar negócios e formar parcerias estratégicas, segundo a matéria.
O pavilhão indie brasileiro
A novidade de 2026 é o Brazilian Indie Pavilion, espaço dedicado a jogos nacionais na gamescom, que reúne 35 títulos. Eles vêm de programas como o Crie Games, de finalistas do Prêmio Brasil Tá Pra Game e de seleções do Brazil Games Accelerator. Quatro vencedores do prêmio, Lunar Axe, Hell Clock, Hit It Back e Capote, ficam em exposição.

Um espaço coletivo ajuda os estúdios que não teriam verba para um estande próprio. Também oferece ao visitante estrangeiro uma imagem organizada do que o país produz.
O que o estúdio precisa levar na bagagem
Estar na feira não basta. O estúdio que chega com uma versão jogável estável, material de apresentação objetivo e clareza sobre o que procura, seja financiamento, publisher ou distribuição, aproveita melhor cada reunião.
Richard Lucas da Silva Miranda avalia que a preparação começa meses antes. Segundo ele, o estúdio precisa conhecer o próprio público, ter a documentação jurídica em ordem e saber explicar em poucos minutos por que o jogo é diferente dos demais.
Depois da feira: o trabalho continua
O retorno de um evento raramente aparece durante os dias da feira. Contatos feitos em conversas rápidas precisam ser retomados com e-mails objetivos, demonstrações atualizadas e propostas claras. Quem deixa para depois perde o interesse que acabou de despertar.
Richard Lucas da Silva Miranda comenta que também é importante registrar o que se aprendeu. Perguntas recorrentes de publishers, restrições de mercado e comentários de jogadores internacionais orientam as próximas versões do jogo e a escolha de novas feiras.
Um mercado que olha para fora
Os números da Abragames sugerem que, para muitos estúdios brasileiros, o mercado externo já pesa mais do que o doméstico. Isso muda a forma de planejar: idiomas, preços regionais, adequação cultural e conformidade com regras de outros países entram no cronograma desde o início.
Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, observa que o estúdio que pensa globalmente desde o primeiro protótipo tem mais facilidade para transformar a presença em feiras em contratos, e para fazer do país uma origem reconhecida de bons jogos.
