O Bairro Novo do Caximba, projeto desenvolvido em Curitiba, foi selecionado como finalista do World Smart City Awards 2026, na categoria Housing Award, dedicada a iniciativas de habitação. A proposta reúne produção de moradias, urbanização, regularização fundiária, recuperação ambiental e medidas de prevenção de alagamentos em uma área marcada por vulnerabilidades urbanas.
A classificação foi divulgada pela Prefeitura de Curitiba em 28 de setembro de 2026. A cerimônia de entrega do prêmio está prevista para 4 de novembro, durante o Smart City Expo World Congress, em Barcelona, na Espanha. A seleção coloca uma intervenção de política habitacional e planejamento urbano da capital paranaense no debate internacional sobre cidades e soluções integradas para o território.
Projeto atende famílias em diferentes situações
Idealizado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o projeto é coordenado pela Secretaria Municipal de Obras Públicas, com participação da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab). Segundo a Prefeitura de Curitiba, a iniciativa prevê o atendimento de 2.120 famílias.
Desse total, 1.211 famílias que vivem em áreas de risco estão deixando esses locais para receber novas moradias. Outras 909 famílias, instaladas em áreas sem risco de alagamento, permanecem em seus imóveis. Para esse grupo, estão previstas obras de urbanização e processos de regularização fundiária. Até a divulgação da prefeitura, 647 casas já haviam sido entregues.
A divisão entre reassentamento e permanência com melhorias mostra que o Bairro Novo do Caximba não se limita à construção de unidades habitacionais. A estratégia combina soluções distintas de acordo com as condições de cada área e busca articular segurança, infraestrutura e permanência das famílias em seus territórios quando não há necessidade de remoção por risco.
Infraestrutura, drenagem e recuperação ambiental
As intervenções previstas incluem pavimentação, implantação de redes de drenagem e esgoto, iluminação pública, contenção de cheias e recuperação ambiental. O conjunto de medidas também contempla um parque linear, elemento que associa a qualificação do espaço urbano à proteção de áreas sujeitas aos efeitos das águas.
De acordo com a página institucional do Bairro Novo do Caximba, a iniciativa é apresentada como uma intervenção territorial voltada à transformação das condições urbanas e habitacionais da região. A proposta evidencia como obras de infraestrutura podem ser planejadas em conjunto com ações ambientais e de regularização, em vez de serem executadas como medidas isoladas.
Outro componente do projeto são os imóveis de uso misto destinados a famílias que mantêm pequenos negócios em casa. Nesses casos, a moradia fica no pavimento superior e o espaço comercial no térreo. A solução procura preservar atividades econômicas existentes e incorporar a dimensão do trabalho cotidiano ao desenho das novas habitações.
Financiamento e reconhecimento internacional
O Bairro Novo do Caximba conta com financiamento de 47,6 milhões de euros da Agência Francesa de Desenvolvimento, além de contrapartida da Prefeitura de Curitiba. O volume de recursos está relacionado a uma intervenção que envolve habitação, infraestrutura urbana, drenagem, recuperação ambiental e regularização de imóveis em uma mesma área.
A categoria Housing Award integra o World Smart City Awards 2026, cuja programação e chamada oficial estão disponíveis no site do Smart City Expo World Congress. O resultado será conhecido na cerimônia marcada para novembro, em Barcelona. Até lá, o projeto curitibano permanece entre os finalistas da categoria voltada à habitação.
Mais do que uma distinção, a indicação chama atenção para um modelo de intervenção que conecta planejamento urbano, habitação social e adaptação a riscos ambientais. No Caximba, a política pública combina novas moradias para famílias em áreas vulneráveis, melhorias para moradores que permanecem no bairro e ações destinadas a reduzir problemas de alagamento e degradação ambiental.
O caso também reforça a importância de equipes multidisciplinares na transformação de territórios complexos. Arquitetura, urbanismo, engenharia, gestão pública, habitação e meio ambiente aparecem articulados em uma proposta que pretende reorganizar o espaço urbano sem tratar a moradia de forma separada da infraestrutura e das condições ambientais.
