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    Cobertura em Moema é renovada sem grandes demolições e aposta no aproveitamento da estrutura existente

    Henry WestlakePor Henry Westlake8 setembro, 20265 Mins de leitura
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    Projeto residencial em São Paulo mostra como interiores podem ser atualizados preservando elementos do imóvel e reduzindo intervenções desnecessárias.

    Uma cobertura localizada em Moema, na Zona Sul de São Paulo, ganhou uma nova configuração a partir de uma estratégia que evitou transformar a reforma em uma grande operação de demolição. Em vez de eliminar indiscriminadamente os elementos existentes, o projeto partiu da análise do que poderia ser preservado e adaptado às novas necessidades dos moradores.

    A abordagem chama atenção em um momento no qual arquitetos, designers e proprietários procuram maneiras de atualizar apartamentos consolidados sem necessariamente reconstruir todos os ambientes. Estruturas, revestimentos, marcenaria e instalações em boas condições podem, dependendo do projeto, ser incorporados à renovação.

    O resultado é uma lógica diferente daquela associada às reformas integrais. A transformação não depende apenas da quantidade de elementos retirados, mas da capacidade de reorganizar espaços, iluminação, mobiliário e acabamentos para criar uma nova percepção do imóvel.

    No caso da cobertura paulistana, a preservação de componentes existentes também coloca em evidência uma questão cada vez mais importante na arquitetura residencial: como modernizar uma casa reduzindo desperdícios e intervenções que não são realmente necessárias.

    Como a cobertura foi transformada sem uma grande demolição?

    Antes de definir o que seria retirado, uma reforma desse tipo começa pela avaliação das condições do imóvel. Elementos que continuam tecnicamente adequados podem permanecer, enquanto pontos incompatíveis com a nova proposta recebem intervenções específicas.

    Essa estratégia permite concentrar o trabalho justamente nos ambientes que precisam de mudanças mais significativas. Em vez de considerar tudo o que existe como descartável, o projeto utiliza a construção anterior como ponto de partida para a nova arquitetura.

    A reorganização dos interiores também pode produzir mudanças perceptíveis sem necessariamente alterar toda a estrutura. Nova iluminação, mobiliário, marcenaria, revestimentos pontuais e redistribuição dos elementos decorativos ajudam a modificar a relação entre os ambientes.

    Em apartamentos de maior dimensão, como coberturas, outro desafio está em estabelecer continuidade visual. Áreas sociais, espaços externos e ambientes de convivência precisam conversar entre si, evitando que a residência pareça formada por setores independentes.

    A escolha dos materiais tem papel importante nesse resultado. Acabamentos mais neutros e elementos naturais podem funcionar como conexão entre o que foi preservado e aquilo que foi introduzido durante a reforma.

    Por que preservar elementos existentes virou uma estratégia na arquitetura?

    Demolir menos pode trazer vantagens que vão além da estética. Uma reforma convencional pode gerar grande quantidade de resíduos provenientes de pisos, revestimentos, alvenaria, madeira, metais e outros componentes retirados do imóvel.

    Quando parte desses elementos continua funcional, preservá-los pode reduzir a quantidade de material descartado e diminuir a necessidade de aquisição de novos produtos. A decisão também pode reduzir determinadas etapas da obra, embora economia de custos e prazo dependa das condições específicas de cada imóvel.

    Essa lógica está relacionada ao conceito de reuso adaptativo, bastante discutido na arquitetura contemporânea. O princípio consiste em aproveitar estruturas ou componentes existentes e atribuir a eles uma nova função ou incorporá-los a uma configuração atualizada.

    No ambiente residencial, a aplicação pode ser mais simples. Um piso em boas condições pode ser restaurado; uma marcenaria pode receber adaptações; determinados revestimentos podem permanecer; e divisórias podem ser preservadas quando ainda atendem à organização desejada.

    Isso não significa que toda estrutura antiga deva obrigatoriamente permanecer. Instalações elétricas e hidráulicas, impermeabilização, elementos estruturais e outros componentes precisam ser avaliados tecnicamente. Preservação só faz sentido quando não compromete segurança, desempenho ou funcionalidade.

    A arquitetura passa, portanto, a trabalhar com uma pergunta anterior à demolição: o que realmente precisa ser substituído? Essa análise pode mudar completamente a maneira como uma reforma é planejada.

    O que o projeto de Moema revela sobre as novas reformas residenciais?

    A renovação da cobertura acompanha uma transformação mais ampla na relação dos moradores com imóveis já consolidados. Em bairros valorizados de São Paulo, apartamentos mais antigos muitas vezes oferecem áreas generosas e localização desejada, mas precisam ser adaptados aos hábitos contemporâneos.

    Nesse cenário, reformar pode se tornar uma alternativa à substituição do imóvel. Mudanças na organização dos espaços permitem incorporar home office, áreas de convivência mais integradas, melhor iluminação e novas soluções de armazenamento sem abandonar uma construção existente.

    A sustentabilidade também ganha espaço nessa decisão. O setor da construção utiliza grande quantidade de matérias-primas e gera volumes relevantes de resíduos. Embora uma reforma residencial represente apenas uma pequena parcela desse cenário, escolhas de projeto podem contribuir para reduzir descartes evitáveis.

    Há ainda uma mudança estética. Marcas da construção original não precisam necessariamente ser escondidas. Arquitetos podem utilizar materiais existentes como parte da identidade do projeto, combinando elementos de diferentes períodos em vez de buscar uma aparência totalmente nova.

    Isso exige planejamento mais cuidadoso. Trabalhar com o existente impõe limitações que uma obra completamente nova não possui, mas essas restrições também podem orientar soluções arquitetônicas mais específicas para cada residência.

    A cobertura de Moema funciona, assim, como exemplo de uma arquitetura residencial menos baseada na substituição automática e mais interessada em avaliar, preservar e transformar. O projeto mostra que renovar profundamente a experiência de um imóvel não significa, necessariamente, demolir tudo o que estava ali antes.

    À medida que sustentabilidade, custos de obra e redução de resíduos ganham importância, essa lógica tende a ocupar espaço maior nas reformas. A arquitetura deixa de perguntar apenas o que pode ser construído e passa a considerar também quanto do que já existe ainda pode fazer parte do futuro do imóvel.

    Fontes: Viva Decora — Arquitetura e projetos residenciais · CAU/BR — Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

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