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    Home»Notícias»Agro, varejo e real estate: Qual setor é o próximo a estressar? Veja com Felipe Rassi
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    Agro, varejo e real estate: Qual setor é o próximo a estressar? Veja com Felipe Rassi

    Henry WestlakePor Henry Westlake18 maio, 20265 Mins de leitura
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    Felipe Rassi
    Felipe Rassi
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    Como comenta o empresário Felipe Rassi, o mercado de crédito estressado no Brasil nunca esteve tão aquecido. Com a taxa de juros pressionando empresas em todos os segmentos da economia, gestores especializados em ativos em dificuldade voltaram seus radares para três setores que concentram hoje as maiores vulnerabilidades financeiras do país: o agronegócio, o varejo e o mercado imobiliário. 

    Leia mais a seguir!

    Por que o agronegócio pode ser a próxima grande surpresa negativa?

    Durante anos, o agronegócio funcionou como âncora de estabilidade para a economia brasileira. Safras recordes, valorização das commodities e acesso facilitado ao crédito rural criaram uma percepção de solidez que, hoje, começa a apresentar rachaduras visíveis. Felipe Rassi destaca que o endividamento do setor cresceu de forma acelerada nos últimos ciclos, impulsionado tanto pela expansão da produção quanto pela aquisição de maquinário e terra financiada a prazos cada vez mais longos. Quando os preços das commodities recuam e o câmbio não oferece o colchão esperado, esse modelo de alavancagem começa a cobrar seu preço.

    O sistema de financiamento agrícola brasileiro tem características que amplificam o risco em momentos de reversão. As cédulas de produto rural, os certificados de recebíveis do agronegócio e outros instrumentos de dívida estruturada conectam produtores rurais endividados a investidores institucionais que, muitas vezes, não têm visibilidade real sobre a saúde financeira da ponta operacional. Quando o produtor não entrega o produto ou não honra a obrigação, a cadeia inteira sente o impacto. Casos recentes no Centro-Oeste e no Nordeste já sinalizaram esse risco de forma concreta.

    Para os gestores de distressed, o agronegócio representa uma oportunidade duplamente assimétrica: de um lado, há ativos reais com valor intrínseco elevado, como terras e equipamentos, que servem como lastro para estratégias de recuperação; de outro, a complexidade jurídica e operacional do setor exige equipes especializadas e paciência de capital. Como pontua o especialista em créditos estressados, Felipe Rassi, o risco não é apenas financeiro, mas também climático, regulatório e logístico. Quem souber navegar essa complexidade antes que o mercado precifique o estresse encontrará retornos expressivos.

    O varejo ainda tem fôlego ou já entrou em colapso silencioso?

    O varejo brasileiro passou pelos últimos anos em estado de reorganização permanente. A pandemia acelerou a digitalização, o crédito barato sustentou a demanda por um período artificial e, agora, juros elevados e inadimplência crescente expõem as estruturas de capital frágeis que muitas redes construíram durante o ciclo expansivo. Grandes varejistas que abriram centenas de lojas com capital de terceiros se encontram hoje diante de obrigações que o caixa operacional já não consegue sustentar.

    Felipe Rassi
    Felipe Rassi

    De acordo com Felipe Rassi, o problema do varejo vai além do endividamento pontual. A estrutura de custos do setor, com aluguel, folha e estoques, impõe uma pressão de caixa contínua que não admite períodos prolongados de margens comprimidas. Quando as vendas desaceleram e o custo do capital de giro sobe junto com a Selic, o efeito tesoura aparece rapidamente nos demonstrativos financeiros. Não por acaso, os pedidos de recuperação judicial no varejo aumentaram de forma consistente nos últimos trimestres, incluindo nomes que, até pouco tempo atrás, eram vistos como cases de sucesso.

    Real estate: O mercado imobiliário está diante de um ciclo de repricing?

    Conforme Felipe Rassi, o mercado imobiliário brasileiro carrega uma contradição estrutural: ao mesmo tempo em que a demanda habitacional é genuinamente robusta, a capacidade das famílias de acessar crédito imobiliário se reduz toda vez que os juros sobem. Incorporadoras que apostaram em lançamentos massivos durante o ciclo de taxa baixa enfrentam agora um ambiente de vendas mais lento, custo de construção elevado e financiamento mais caro. O resultado é um alongamento do ciclo de caixa que pressiona o capital de giro e estreita as margens já pressionadas do setor.

    Além das incorporadoras residenciais, o segmento comercial acumula suas próprias tensões. Lajes corporativas em grandes centros urbanos ainda lutam contra a herança do trabalho remoto, que reduziu a taxa de ocupação de forma estrutural em algumas cidades. Shoppings regionais e empreendimentos de uso misto, por outro lado, mostram recuperação, mas com perfis de crédito heterogêneos que exigem análise caso a caso. O risco real está nos projetos financiados no pico do ciclo, com estrutura de capital que não sobrevive a um ambiente de taxas mais altas por tempo prolongado.

    Segundo Felipe Rassi, os fundos de crédito estressados com foco em real estate operam em uma lógica distinta dos fundos imobiliários tradicionais. Enquanto estes buscam renda estável e valorização de longo prazo, aqueles entram em ativos problemáticos com desconto significativo, seja através da compra de CRIs inadimplentes, seja pela aquisição de imóveis em leilão judicial ou pela participação em processos de reestruturação de incorporadoras. A tese é clara: o ativo real existe, tem valor e pode ser recuperado ou reposicionado com a gestão correta. O desafio está no timing e na capacidade de execução.

    Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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