Conforme ressalta o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, a medicina preventiva é uma das bases mais importantes para reduzir doenças, evitar complicações e melhorar a qualidade de vida da população. Discutir esse tema no Brasil exige olhar além da realização de exames, pois envolve acesso, educação em saúde, continuidade assistencial e capacidade de organizar o cuidado antes dos problemas se agravarem.
Embora o país tenha avanços relevantes na atenção básica e em campanhas de vacinação, ainda existem barreiras que dificultam a prevenção de modo geral. A seguir, abordaremos esses desafios e veremos por que fortalecer a prevenção deve ser uma prioridade coletiva.
Por que a medicina preventiva ainda enfrenta barreiras no Brasil?
A medicina preventiva depende de regularidade. Isso significa consultas periódicas, exames indicados conforme idade e risco, orientação profissional e acompanhamento dos resultados. No entanto, muitas pessoas só procuram atendimento quando os sintomas já estão presentes. Yuri Silva Portela expressa que esse comportamento aumenta a chance de diagnósticos tardios e reduz as possibilidades de intervenção precoce.
Assim sendo, a prevenção não pode ser tratada como uma ação isolada, feita apenas em campanhas pontuais. De acordo com o fundador do projeto social Humaniza Sertão, Yuri Silva Portela, ela precisa estar integrada à rotina dos serviços de saúde e à cultura da população. Quando o cuidado preventivo se limita a momentos específicos, como mutirões ou datas de conscientização, parte importante da população permanece sem acompanhamento adequado.
Como o acesso irregular compromete a prevenção?
O acesso desigual aos serviços de saúde é um dos principais entraves para a medicina preventiva no Brasil. Em muitas regiões, a distância até unidades de atendimento, a falta de profissionais, a sobrecarga dos serviços e a dificuldade de agendamento reduzem a frequência das consultas. Dessa maneira, exames simples podem ser adiados por meses, mesmo quando são essenciais para detectar alterações iniciais.
Da mesma forma, o acesso irregular afeta principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social. Quem depende exclusivamente do sistema público, mora longe dos centros urbanos ou tem baixa flexibilidade de horário encontra mais obstáculos para manter uma rotina preventiva. Como destaca o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a prevenção só funciona de maneira ampla quando o sistema consegue chegar antes da doença, e não apenas reagir a ela.
Quais fatores dificultam a educação em saúde?
A baixa educação em saúde também limita a adesão às práticas preventivas. Muitas pessoas desconhecem quais exames devem realizar, em que fase da vida devem buscar avaliação e quais sinais merecem atenção. Esse desconhecimento favorece a ideia de que procurar atendimento sem sintomas seria desnecessário, quando, na verdade, grande parte da prevenção atua justamente antes do aparecimento de queixas.

Para mudar esse cenário, a comunicação precisa ser simples, constante e adaptada à realidade da população. Então, não basta informar que um exame é importante. É necessário explicar o motivo, a periodicidade, o preparo, os riscos de adiar o cuidado e os benefícios do diagnóstico precoce. Desse modo, os seguintes fatores merecem atenção:
- Linguagem acessível: orientações devem evitar termos técnicos excessivos e explicar o cuidado de maneira clara.
- Continuidade da informação: campanhas precisam ser reforçadas ao longo do ano, não apenas em períodos específicos.
- Vínculo com profissionais: pacientes aderem melhor quando confiam na equipe que acompanha sua saúde.
- Cuidado por faixa etária: crianças, adultos, idosos, mulheres e homens têm necessidades preventivas diferentes.
Esses pontos mostram que a educação em saúde não depende apenas de distribuir informações. Ela exige estratégia, repetição e escuta ativa, conforme enfatiza Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão. Quando a pessoa entende por que precisa se cuidar, tende a participar mais das decisões e a seguir melhor as orientações recebidas.
Como a desigualdade regional afeta exames e acompanhamento?
A desigualdade regional torna a medicina preventiva ainda mais complexa. Enquanto algumas cidades contam com estrutura diagnóstica, especialistas e maior oferta de exames, outras enfrentam filas longas, escassez de equipamentos e dificuldade de encaminhamento. Essa diferença cria um cenário em que o local de moradia influencia diretamente as chances de prevenção.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, a demora em exames preventivos tem um impacto direto na eficiência do cuidado. Quando uma mamografia, uma colonoscopia, um exame laboratorial ou uma avaliação cardiológica demoram demais, perde-se a oportunidade de identificar alterações em fases iniciais. A prevenção depende de tempo oportuno, pois atrasos podem transformar uma condição controlável em um problema mais grave.
A prevenção exige sistema, informação e continuidade
Em última análise, a medicina preventiva no Brasil enfrenta desafios que vão além da disponibilidade de exames. O país precisa melhorar o acesso, reduzir desigualdades regionais, ampliar a educação em saúde e fortalecer o acompanhamento contínuo. Pois, sem esses pilares, a prevenção fica limitada e muitas doenças seguem sendo descobertas apenas em fases avançadas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
