De acordo com o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim e especialista em sistemas construtivos, o Eng. Valderci Malagosini Machado, o maior valor do BIM está em sua capacidade de organizar informações, antecipar falhas e apoiar decisões técnicas com maior precisão. Isto posto, a tecnologia já não pode ser vista como exclusiva para grandes empreendimentos, uma vez que pequenas e médias empresas da construção civil também podem utilizá-la. Contudo, o uso do BIM deve ser gradual, objetivo e conectado a problemas reais. A seguir, veremos como aplicar essa metodologia em projetos, orçamento e gestão, sem transformar a implantação em um processo caro ou distante da rotina.
O BIM só pode ser usado em grandes empreendimentos?
A resposta é não. O BIM ganhou força em obras complexas porque esses projetos envolvem muitos profissionais, disciplinas técnicas e informações simultâneas. No entanto, os problemas que ele ajuda a resolver também aparecem em reformas, edifícios residenciais, salas comerciais, galpões e empreendimentos de médio porte.
Aliás, uma obra menor não se torna simples apenas por ter menos área construída. Ela também precisa de projeto coerente, orçamento confiável, cronograma realista e comunicação eficiente entre os envolvidos. Afinal, quando esses elementos falham, surgem atrasos, desperdícios e decisões improvisadas.
Tendo isso em mente, o BIM contribui justamente ao reunir informações em uma base mais integrada. Segundo o Eng. Valderci Malagosini Machado, em vez de trabalhar com desenhos, planilhas e revisões desconectadas, a empresa passa a visualizar melhor o projeto e suas interferências. Nesse sentido, a metodologia ajuda a reduzir riscos antes que eles cheguem ao canteiro.
Como pequenas empresas podem começar com BIM?
A implantação deve começar por um objetivo claro. Antes de comprar softwares ou contratar treinamentos amplos, a empresa precisa identificar qual problema deseja resolver primeiro; pode ser retrabalho, falha em quantitativos, dificuldade de compatibilização ou baixa previsibilidade de custos.
Como destaca o Eng. Valderci Malagosini Machado, começar pequeno não significa usar BIM de maneira limitada, mas sim de forma estratégica. Uma empresa pode iniciar pela modelagem 3D para melhorar a compreensão do projeto. Depois, pode avançar para compatibilização, orçamento e planejamento, conforme a equipe ganha maturidade. Diante isso, as seguintes aplicações iniciais costumam gerar resultados práticos:
- Modelagem 3D: melhora a visualização do projeto e facilita o entendimento por clientes, fornecedores e equipes de execução.
- Compatibilização: identifica conflitos entre arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica e outras disciplinas antes da obra.
- Quantitativos: apoia compras mais precisas e reduz erros em levantamento de materiais.
- Planejamento: relaciona etapas do projeto ao cronograma e melhora o acompanhamento da execução.
- Gestão de informações: organiza arquivos, revisões e dados técnicos em um fluxo mais confiável.

Esses usos mostram que o BIM pode entrar na rotina de forma progressiva. O mais importante é evitar uma implantação baseada apenas em aparência tecnológica. Conforme frisa o diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, Eng. Valderci Malagosini Machado, a metodologia deve gerar ganho mensurável, como menos retrabalho, maior controle de custos e melhor comunicação entre áreas.
De que maneira o BIM melhora orçamento e gestão?
No orçamento, o BIM ajuda a reduzir a dependência de levantamentos manuais e planilhas isoladas. Quando os quantitativos são extraídos de modelos bem estruturados, a empresa ganha mais consistência para estimar custos, revisar cenários e ajustar compras conforme o projeto evolui.
O Eng. Valderci Malagosini Machado ainda demonstra que isso não elimina a análise técnica do orçamentista; pelo contrário, torna essa análise mais qualificada. Principalmente porque o profissional passa a dedicar menos tempo à conferência repetitiva de dados e mais atenção à avaliação de produtividade, perdas, alternativas construtivas e impactos financeiros das decisões de projeto.
Na gestão, o BIM favorece a integração entre projeto, custo e execução. Essa integração é decisiva para pequenas e médias empresas que desejam crescer sem perder controle. Quando todos trabalham com informações mais alinhadas, a tomada de decisão se torna mais rápida e menos dependente de improvisos.
O BIM como uma estratégia acessível e progressiva
O BIM não pertence exclusivamente aos grandes empreendimentos. Pequenas e médias empresas também podem usar a metodologia para melhorar projetos, controlar custos e qualificar a gestão. A adoção precisa respeitar a maturidade da equipe, o tipo de obra e os objetivos prioritários do negócio.
Dessa maneira, quando aplicado com planejamento, o BIM deixa de ser uma tecnologia distante e passa a funcionar como ferramenta prática de produtividade. O caminho mais eficiente é resolver problemas concretos, medir ganhos e ampliar o uso aos poucos. Com isso, empresas menores conseguem competir com mais previsibilidade, qualidade e controle.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
