Fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, Dalmi Defanti evidencia as transformações provocadas pela inteligência artificial em um segmento no qual a produção de peças visuais se tornou mais ágil e mais acessível. Para pequenas empresas, essa praticidade viabiliza a confecção de materiais com menos recursos e em menor tempo, mas também gera um efeito menos óbvio: quando marcas distintas valem-se de mesmas ferramentas, referências semelhantes e comandos alinhados às mesmas tendências, seus conteúdos podem acabar seguindo diretrizes visuais muito próximas.
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Como a IA pode aproximar identidades visuais?
Ferramentas de inteligência artificial trabalham com grandes volumes de referências para produzir resultados a partir das instruções recebidas. Isso permite criar imagens sofisticadas, combinações de cores e diferentes estilos com relativa facilidade. O problema aparece quando empresas diferentes utilizam essas possibilidades sem estabelecer previamente o que torna cada marca reconhecível. Sem critérios próprios, a facilidade de criação pode fazer com que escolhas visuais se aproximem mesmo quando os negócios têm propostas completamente diferentes.
A busca por tendências também contribui para a aproximação, retrata Dalmi Defanti Cuiabá. Se várias empresas pedem uma estética moderna, minimalista, sofisticada ou tecnológica, os resultados podem compartilhar características semelhantes. A ferramenta consegue entregar aquilo que foi solicitado, mas não necessariamente cria uma identidade exclusiva para cada negócio. Quanto mais uma tendência é reproduzida sem adaptação, maior é o risco de ela deixar de funcionar como elemento de diferenciação.
Nas pequenas empresas, essa situação pode ser ainda mais perceptível porque a facilidade de acesso à tecnologia permite produzir materiais sem uma estratégia visual estruturada. O ganho de autonomia é importante, mas precisa vir acompanhado de critérios para que a praticidade não seja confundida com identidade. Definir elementos que devem permanecer reconhecíveis ajuda a utilizar a IA como recurso de criação sem permitir que ela determine sozinha a aparência da marca.
O problema está na ferramenta ou no uso dela?
A inteligência artificial não determina que todas as marcas tenham a mesma aparência. O resultado depende das referências, dos objetivos e das decisões utilizadas durante o processo. Quando a ferramenta é tratada como responsável por criar toda a identidade, porém, existe maior possibilidade de o material seguir padrões genéricos. O risco aumenta quando diferentes negócios partem das mesmas referências e aceitam as primeiras sugestões sem uma etapa de análise e personalização.

Uma marca precisa ter elementos que permaneçam reconhecíveis mesmo quando a aplicação muda. Isso inclui escolhas relacionadas a tipografia, composição, cores, imagens e linguagem. Esses componentes precisam formar um sistema, e não apenas uma coleção de peças visualmente agradáveis. Dalmi Defanti expõe que essa consistência permite que a identidade seja adaptada para diferentes materiais sem perder características que ajudam o público a associá-la à empresa.
Por que essa tendência não é sinônimo de identidade?
Uma tendência pode ajudar uma marca a parecer atual, mas seu uso indiscriminado pode produzir o efeito contrário. Quando determinada estética se espalha rapidamente, muitas empresas passam a utilizar os mesmos recursos para transmitir modernidade, profissionalismo ou inovação. O que inicialmente representa novidade pode se tornar previsível quando aparece repetidamente em diferentes segmentos e canais de comunicação.
De acordo com Dalmi Defanti Cuiabá, isso cria uma dificuldade adicional: o consumidor pode reconhecer o estilo de uma época, mas ter dificuldade para associá-lo a uma empresa específica. A identidade deixa de cumprir uma de suas principais funções, que é estabelecer reconhecimento ao longo de diferentes contatos com a marca. Em um ambiente com grande volume de estímulos visuais, características próprias ajudam a criar uma associação mais consistente na memória do público.
Por esse motivo, seguir tendências exige seleção. Uma empresa pode incorporar elementos contemporâneos sem abandonar características que já fazem parte de sua comunicação. A atualização visual funciona melhor quando existe uma lógica para decidir o que muda e o que permanece. Dessa forma, a marca consegue acompanhar transformações estéticas sem precisar abrir mão dos elementos que sustentam sua personalidade visual.
